Crítica: Los Hermanos – Belo Horizonte – 20/05/2012

É moçada, a hora chegou. Eu diria que foi um dos shows mais esperados do ano, não só na capital de Minas mas em todo o Brasil. Desde o anúncio do show e venda dos ingressos em janeiro/12 não se falava em mais nada, a não ser no countdown para este show que viria a se tornar um grande evento. É claro, eventos de comoção nacional vem sempre regados de muita crítica daqueles que não conseguem olhar além do seu próprio umbigo. Ouvi coisas como “eles não são tão bons assim” como “eles só estão voltando por dinheiro”, assunto que abordei no post Michel Teló, Los Hermanos e a Hipocrisia. Mas isto não importa, vamos falar do que realmente é legal.

Como esperado, após 3 dias de shows com ingressos esgotados (e a pequena capacidade do chevrolet hall), a entrada da casa de shows estava transbordando pessoas de todos os tipos: cults, pseudocults, playboyzinhos, alternativos, fãs histéricos, acompanhantes que não sabiam onde estavam e claro, pessoas que se julgam normais como eu. A entrada não foi legal. Menos uma estrela pela desorganização do Chevrolet Hall (é claro que não é culpa da banda), mas é preciso dar mais atenção a entrada do público em dias de shows lotados: não havia filas montadas corretamente, houve empurra-empurra e falta de paciência do público em colaborar. Foi tão mal organizado que os seguranças não conseguiram checar as meias entradas (porque o volume de pessoas era muito grande) e cheguei a ver até “pivetes” cheirando cola no interior da casa. Lamentável.

Para minha, para sua e para nossa alegria deu pra esquecer tudo isto, porque exatamente as 19h, no final da noite de um domingo frio de Belo Horizonte, os ídolos sobem ao palco para o primeiro acorde de “O Vencedor”. Histeria e comoção geral: vi choros, gritos, muitos pulos e, o que me arrepiou, um coro único de vozes de todas as idades, cantando sem hesitar, sem errar uma letra, sem desafinar uma nota. Havia tempos em que eu não via um público tão apaixonado assim, arrisco dizer que só vi isto no show do Paul McCartney, no Morumbi, em 2010. O quarteto emendou então sucessos de toda a carreira: “Retrato pra Iaiá”, “Todo Carnaval tem Seu Fim”, “Além do Que Se Vê”, a belíssima “O Vento” e a deliciosa “Morena”, umas das poucas do album “4″. Houve tudo para agradar gregos e troianos. O momento para acalmar os corações e embalar os beijos dos casais apaixonados foi guiado por “Sentimental” e “A outra”. Não posso deixar de destacar a maravilhosa “Último Romance”, uma obra prima de Rodrigo Amarante e “Conversas de Botas Batidas”. Bem, eu poderia ficar a noite toda aqui falando das músicas e do meu apreço por elas (sou uma fã confessa e fervorosa), mas nada vai explicar o que aconteceu dentro daquela casa ontem. Para fechar, um bis incrível: a inesperada “Adeus Você”, “Tenha Dó”, “Quem Sabe”, “Anna Júlia” e “Pierrot”, as quatro últimas relembrando o início da carreira, no álbum “Los Hermanos”, onde a batida pop e rock se misturavam de uma maneira inovadora.

E você, caro leitor, deve estar se perguntando porque é que esses barbudos causam tamanho frisson nesta juventude brasileira. Pois eu te respondo sem hesitar: posso dizer que, desde a Legião Urbana, de Renato Russo e sua trupe, ninguém faz letras tão complexas, mas tão próximas de transcrever vários sentimentos humanos. Los Hermanos faz sucesso porque fala de amor com quem entende isto a flor da pele, que são os jovens. Frases como “Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém afim de te acompanhar”ou “quem é mais sentimental que eu?” já passaram na cabeça de todos e são transcritas nas ousadias da dupla Camelo/Amarante. Há algo mais simples e mais verdadeiro do que a frase “Não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer”? Os barbudos são sinceramente simpáticos e “complexamente” simples. Como eu disse algumas vezes, é difícil não amá-los (por mais que para alguns seja difícil admitir isto).

Apesar da pouca interação com a platéia (por pouca eu digo verbalmente, porque Amarante estava sempre mostrando suas estranhas dancinhas e se aproximando das grades de proteção) devo dizer que participei de mais um grande evento musical. Ter a oportunidade de cantar tantos sucessos de uma só vez é um presente, muito bem montado, pela trupe barbuda, e isto é show para os fãs: cantar sucessos, lados B e clássicos.

Para mim ficou a lembrança de poder gritar em “Azedume” e “A flor”, e poder chorar em “Um par” e “Casa Pré-Fabricada”, e claro, de compartilhar momento tão esperado ao lado de pessoas amadas. Agora só resta a saudade, e um sonho, de que daqui há 5 anos haja outra turnê de reunião, como esta que os barbudos planejaram para este ano.

Para vocês um gostinho, “Último Romance”, em BH.

Crítica: Foo Figthers no Loolapalooza – São Paulo – 07/04/12

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Por Ligia Passos:

Com muito prazer faço essa resenha para os queridos Souza, e aproveito para novamente me desculpar por não ter feito o mesmo com U2, Red Hot Chili Peppers e Pearl Jam!!!

São Paulo, Jockey Club, 07 de abril de 2012, Lollapalooza Brasil: entrou para a história! Pelo menos para minha, e para outras 74.999 pessoas presentes naquele sábado ensolarado e atípico para a cidade.

O Lollapalooza é um festival criado em 1991 por Perry Farrell (frontman do Jane’s Addiction), consagrado por suas edições em Chicago. Em 2010 chegou ao Chile, e no ano em que completa 20 anos aterrisou no Brasil trazendo como headlines Foo Fighters e Arctic Monkeys.

Depois de longos 11 anos de espera, e de um susto após o cancelamento de shows devido a problemas vocais, chegou a vez dos fãs de Dave Grohl e cia se deliciarem ao som da banda de rock com maior prestígio ultimamente.

E lá fui eu me aventurar no meu primeiro festival e confesso que me surpreendi. Como meu único interesse era o show do Foo Fighters não posso dar minha opinião sobre o festival em si, mas digo que achei bem organizado, entrada sem filas (cheguei ao Jockey por volta das 18h). Claro que havia filas nos caixas, bares e banheiros, celular não funcionava lá dentro, mas achei o ambiente bem tranquilo.

Pontualmente, às 20:30h, como sempre vestido de preto e com sua guitarra azul, Dave Grohl sobe ao palco e tem cerca de 75 mil pessoas na sua mão!!! E ele não decepciona, abrindo o show com a sequencia fantástica de All My Life, Times Like These, Rope, The Pretender e My Hero. Pausa pra respirar, gritos e mais gritos (para o desespero da fonoaudióloga roqueira!!!) e por cerca de duas horas e meia a banda tocou um setlist de 26 músicas, incluindo cover de In The Flesh (Pink Floyd), e Bad Reputation e I Love Rock and Roll com participação de Joan Jett. Ouvidos atentos ainda puderam identificar acordes de Custard Pie (Led Zepellin) e Feel Good Hit of The Summer (Queens Of The Stone Age). A escolha do repertório foi bem completa, passando por hits antigos como Big Me até músicas do último, e excelente, CD Wasting Light.

Dave Grohl já não possui a mesma extensão vocal, sabidamente prejudicada pela presença de um cisto nas cordas vocais. Durante o show pouco percebi, mas escutando o MP3 do show fica claro que seus gritos incessantes acabam por prejudicar o alcance de algumas notas. Mas, sinceramente, isso não atrapalhou em nada. Pra mim, ele realmente merece o título de “cara mais legal do rock” e proporcionou um dos melhores shows que já fui.

Ouvi muita reclamação sobre a estrutura e organização do festival mas como não entendo nada disso, não me sinto no direito de opinar. O que poderia deixar como “reclamação” é o fato de ter achado o som baixo durante o show, e o posicionamento dos telões do palco, que estavam muito baixos, prejudicando a visão dos desprovidos de altura!!!

No mais, valeu à pena viajar até São Paulo para um feriado prolongado super proveitoso, com direito a encontrar Marina Souza, e coroado com um super show do Foo Fighters!!!

Segue um vídeo com a última música do show e minha preferida!!!

 

Crítica: Morrissey – 07/03/2012 – Belo Horizonte

 

Lá vamos nós para mais uma aventura musical. Belo Horizonte está sendo presenteada este ano com tanta coisa boa chegando por aqui: teremos Joe Cocker, Bob Dylan e Crosby, Stills and Nash, e andamos com rumores de Adele e Paul McCartney, além do esperadíssimo retorno dos Los Hermanos em maio. Para não ficar de fora fui conferir o primeiro showzaço do ano, o ex-lider do The Smiths: Morrissey.

Confesso que tem pouco tempo que curto esse rock anos 80 (e confesso também que foi o filme 500 dias com ela que me fez resgatar este gosto escondido dentro de mim), e o pouco que conhecia era The Smiths, da carreira solo de Morrisey conhecia (e conheço) muito pouco, apesar de já ter lido e ouvido vários elogios da crítica musical.

Bem, fomos na cara e na coragem, eu e Lígia Passos (Sousa adotada por nós devido a elaboradíssimo gosto musical), ver qual é a do cara. Na chegada tivemos que aguentar alguns minutos de uma infeliz (mas esforçada) cantora americana Kristeen Young. Ela urrava versos incompreensíveis ao esmurrar um teclado sozinha no palco. Deu pena, mas parece que ela curtiu, pois saiu aplaudida pelos fanáticos fãs de Morrissey, que estavam tão felizes, que não era ela que ia estragar tudo.

Antes do começo do show passaram vídeos em um telão montado no palco, provavelmente escolhidos por Morrisey: Shocking Blue, The Sparks e até Brigitte Bardot. Serviu para esquentar o clima. Após uma barulheira inexplicável produzida por instrumentos que não consegui identificar, as 22:10h, o telão cai e surge, lá no fundo, de camisa branca e calça social, o mais esperado, Morrissey.

Muito simpático, não parecia que era o que falavam: antipático, ignora fãs, mau humorado. Morrissey parecia leve e feliz. Sua banda estava toda de camiseta vermelha escrita “Assad is Shit”, com uma crítica direta ao ditador Sírio. Começou com a animada “First of the Gang to Die” e emendou sucessos de carreira solo. Mesmo não conhecendo boa parte, Morrissey conseguiu me manter de pé e dançando ao som de seus bons hits. O público foi a loucura com o primeiro sucesso de The Smiths tocado: “Still Ill”, seguida de “Everyday is Like Sunday” cantada em coro por fanáticos e não fanáticos.

Depois de mais alguns momentos carreira solo Morrissey trouxe o clássico “Meat is Murder”. Já não gosto da música, mas este talvez tenha sido o ponto mais baixo do show. Morrissey é um vegetariano radical. Tão radical que nesta noite o Chevrolet Hall só poderia vender lanches que não tivessem carne (as opções eram salgados de ricota ou pão de queijo). Durante a apresentação da música, um vídeo ao fundo com cenas de animais multilados passavam sem parar, com a intenção de desagradar o público, e talvez “catequizar” novos vegetarianos. Não gostei. Não sou vegetariana mas também não sou carnívora fervorosa, e como nutricionista me sinto no direito de discutir essas condutas radicais. Nesta parte confesso ter ficado mau humorada.

Por sorte, Morrissey se redimiu com as clássicas “I Know it’s Over”, “There is a Light that Never Goes Out” (histeria total), “I’m throwing My Arms Around Paris”, “Please, Please, Please Let Me Get What I Want”e “How Soon Is Now”. Nos intervalos entre as músicas sobravam elogios ao público (“I love you”, “Brasil, Brasil”) e também sobravam idolatrias pelos fãs presentes. Ficou claro para ele também, apesar do desânimo em tocar clássicos de The Smiths, que a platéia estava lá para isso, pois eram as músicas mais cantadas. Trocou de camisa duas vezes, lançando a branca que usava no início para os fãs e voltando de camisa roxa, clássica dos tempos de The Smiths.

Morrissey voltou para uma música no Bis, já de blusa amarela: “One Day Goodbye Will Be Farewell”, também admirada por todos. Despediu-se e não voltou. Para os fãs, ficou o gostinho de quero mais. Para os admiradores da música (como eu), ficou de bom tamanho, apesar de sentir falta de alguns bons clássicos da famosa banda dos anos 80. Mas já fiquei grata com “Please, Please, Please”. Morrissey mantem sua voz tenra e afinada, o temperamento inesperado e a pregação ao vegetarianismo à tona, para nós que temos pouca chance de vê-lo, é ótimo, mas talvez tenha que rever alguns conceitos para não ficar obsoleto, conseguir manter antigos fãs e ganhar os mais novos, como eu!

Fica um gostinho para vocês aqui embaixo:

 

Michel Teló, Los Hermanos e a Hipocrisia

Essa semana eu ouvi muito murmurinho por causa de eventos musicais brasileiros. Costumo não me envolver em polêmicas, mas eu gosto de dar a minha opinião.

teló
#FreeMichelTeló

Primeiro vou começar com a polêmica “Ai se eu te Pego” chegando na Europa. Ok gente, a música é ruim? É. Michel Teló não tem talento? Não. Ela reflete a cultura brasileira no exterior? Talvez. Não vamos nos enganar, o Brasil é muito grande, e somos lembrados sempre por muitas coisas, pela alegria do nosso povo, pelo talento no futebol (ou ao menos era né?), pelos excelentes músicos (exportávamos Mutantes, João Gilberto, Chico Buarque), mas também pelo carnaval, mulheres peladas e, porque não, Michel Teló? Não que eu vá comprar discos de Michel Teló ou frequentar estes tipos de shows (porque ai pra mim é demais, mas não julgo quem o faz), mas vamos concordar que é divertido, quando estamos em alguma festa, algum lugar para nos divertir, ouvir e dançar esse tipo de música. É ai que começa a hipocrisia. Se é divertido para nós, brincar, rir, fazer piada da situação, porque não seria divertido para o Nadal? O Cristiano Ronaldo? Os jogadores suecos? Os portugueses, espanhois, poloneses e italianos? Afinal, nós nos damos o direito de dançar a música do Guarda-Chuva ou do Cafetão (“Umbrella” da Ryhanna e “P.I.M.P.” de 50 Cent) sem sequer nos preocupar com o que a letra quer dizer, e sem pensar que isso “reflete” a cultura americana, não é mesmo? Afinal eles tem tantas coisas boas que podemos relevar isto, certo? Não, a situação é a mesma. A letra também fala coisas desconexas e mesmo assim adoramos dançar. Vão vir os mais hipócritas dizer que “eu não danço quando toca Michel Teló, ou 50 Cent, ou qualquer outra coisa que eu não julgue ser musicalmente interessante”. Ok, então você é um chato, e só isso que tenho pra falar.

E ah, Michel Teló, tudo bem, é bacana seu sucesso no exterior e continue assim, atingindo seus sonhos, mas por favor, não traduza a música para outras linguas. Você faz sucesso lá porque ninguém entende o que você diz, e esse é o charme, traduzir vira vexame, please.

Para a polêmica Los Hermanos, fica a mesma conduta. Eu não julgo quem gosta de Michel Teló, eu não julgo quem escuta Angra, eu não julgo quem curte Velhas Virgens, e não acho que todo fã deve ser generalizado por gostar de um estilo musical. Nem todo fã de Michel Teló é sertanejo barango, nem todo fã de Angra é roqueiro cabeludo, nem todo fã de Velhas Virgens é sujo e nem todo fã de Los Hermanos é cult chato. Conheço fãs de Los Hermanos que escutam Exaltasamba, Cartola, Beatles e Pixote (né Marina Nogueira), e nem por isso podem ser rotulados como chatos. O frisson pelos ingressos aconteceu pelo simples fato de que os caras não tocavam há muito tempo. Pode ser por interesse financeiro, eles podem tocar só por tocar, o show pode ser uma droga, mas o fã não perde essa chance de tomar cerveja, reunir os amigos e cantar suas músicas favoritas. Ou você acha que o Paul McCartney, o ACDC, os Rolling Stones e outros que estão na estrada há anos também só tocam por puro amor aos fãs e as músicas? Tem que ter dinheiro na parada senão ninguém sai do lugar.

Então é isso. Por hoje, abaixo a hipocrisia musical, vamos todos nos respeitar e ser menos críticos com pequenas coisas. Vamos guardar nossas energias para mudar o país, ir as ruas, reclamar algo importante. #FreeMichelTeló, #FreeMarceloCamelo, #Chegadehipocrisia.

*A autora Marina Silva deixa claro que nunca gostou de Michel Teló, mas assume dançar “Ai se eu te Pego” eventualmente em festas de casamento ou formatura, com seus amigos que se julgam cultos demais para isto. Ah, e ela é fã de Los Hermanos, e encararia a fila pelo show (mas botou sua irmã mais nova para cumprir tarefa tão árdua) ;)

Crítica: Show Ben Harper – Belo Horizonte – Dezembro/2011


O vitrola sempre está presente nos maiores eventos de música do Brasil (e especialmente de Belo Horizonte), e não podiamos deixar passar mais um grande músico que se apresenta na nossa capital.

Com cerca de 50min de atraso o músico americano Ben Harper subiu ao palco trazendo o que gostariamos (e esperávamos) ver em todo o show, sucesso e animação. “Better Way” foi a música de abertura, musicalmente bem representada e fiel a gravação de estúdio. Porém a minha alegria parou ai. Não nego que Ben é bom músico (aliás, excelente guitarrista, respeitado por muitos), mas foi terrivelmente aconselhado a montar uma péssima playlist. Apesar de aliado a sucessos como “Glory and Consequence” e “She’s Only Happy In The Sun” o playlist seguiu lento e sem ordem musical: saimos de marcantes riffs de guitarra para músicas de violão e romance, sem um momento que conseguisse embalar e prender a atenção da platéia. Aliás, a platéia foi outro ponto negativo do show. Muitos apareceram por lá sem nem sequer saber quem era Ben Harper, “pseudo-cults”, patricinhas e mauricinhos circulavam no mesmo local, e pareciam mesmo querer beber cerveja e paquerar (nada contra, mas é possível pagar menos de R$70,00 para fazer isto). A personalidade de Ben Harper também não cativou: o americano é tímido (apesar de atencioso e simpático), e pouco interagia com a platéia.

Poderia ficar pior, depois de um momento intimista com o violão (onde Ben soltou a linda “Walk Away” e a clássica “Diamonds on The Inside”), Ben soltou um cover de “Under Pressure” (onde não comprometeu mas não surpreendeu), e me pareceu que os jovens sequer conheciam o sucesso. Resultado: me vi pulando sozinha ao som do clássico do Queen.

Mas, como eu disse no dia seguinte ao show: em show onde Vanessa da Mata é o ponto alto da noite todos saem perdendo. E não deu outra. Nada contra convidar a cantora brasileira para participar da turnê (afinal a música “Boa Sorte” resgatou a carreira de Vanessa no Brasil após o sucesso “Ai Ai Ai Ai”), mas aconteceu o que todos temiam (por isso digo eu e alguns poucos fãs que estavam presentes): a música foi o auge da noite, cantada em uníssono por todos (inclusive por mim, admito), como se fosse um grito de alívio para um show que representou pouco o que prometeu.

Ben, ainda sigo te admirando, porque acho que a história fala mais do que só um momento de fracasso, mas por favor, vamos trabalhar na interação com a platéia e demitir o rapaz responsável pela playlist ok?

Segue aqui a música “She’s Only Happy In The Sun”

Que falta você faz George…


Hoje fazem exatos 10 anos em que perdemos George Harrison, e o vitrola não poderia deixar de homenageá-lo.

George foi o Beatle,
.mais tímido: detestava entrevistas e a histeria dos fãs, George queria mesmo era tocar.
.o mais musicalmente talentoso: escreveu “a música mais romântica de todos os tempos” de acordo com Frank Sinatra, “Something”, além de vários outros sucessos para os beatlemaníacos como “Here Comes The Sun” e “Norwegian Wood”, além de completar Paul e John fazendo os mais famosos riffs de guitarra da década de 60 e 70.
.o mais renegado: Por ser tímido, John e Paul se destacavam mais (e adoravam), escondendo ainda mais o talento tímido de George, que se contentava em ser o guitarrista fiel.
.o mais tranquilo: George era tão tranquilo que nem a separação polêmica dos Beatles o abalou, ele seguiu gravando com Ringo, John e Paul, mesmo que separadamente.
.o mais pacífico: George começou muito antes de John Lennon a trabalhar seu lado espiritual, e com isso, caminhar para mais perto da paz. Foi ele também que, ao invés de agredir um invasor em sua casa, cantou trechos “Hare Krishna” para acalmar o agressor que o esfaqueou.
.o primeiro a fazer um disco triplo: George deu “um tapa de luva” na separação dos Beatles lançando “All Things Must Pass”, album triplo de sucessos do Beatle tímido que foram ignorados por John, Paul e seus empresários.
.o amigo fiel: George era tão fiel a seus amigos, que largou Pattie Boyd, sua esposa até 1973, para que Eric Clapton se casasse com ela…e a amizade continuou, com eles se chamando de “husbands in law”.
.o primeiro a visitar o Brasil: George adorava fórmula 1, e veio aqui, em 1979, no GP de Interlagos.
.o discreto: George morreu em paz, e em família, de uma maneira tão discreta, que nem seu filho Dhani Harrison soube onde ele havia morrido. Foi da maneira como ele queria, e suas cinzas foram levadas ainda no dia 29 de novembro, a Índia, e somente no dia 30 de novembro de 2001, sua morte foi noticiada pelos jornais mundiais.

George foi mais do que 1/3 de Beatles, foi um dos melhores guitarristas da história, foi um humanista, foi um herói. Foi discreto, como sempre foi, mas marcou todos os beatlemaníacos (ou não), com seu sorriso tímido, seu cabelo desarrumado e os dentes tortos. Ah George, que falta você faz…

TOP TOP Músicas Românticas Internacionais

amor

Aproveitando o clima namoro/noivado/casamento, e escutando a trilha sonora romântica do almoço do domingo passado promovida pelo meu pai, resolvi resgatar o TOP-TOP (que estava sumido há tempos, concordo) e fazer um de músicas românticas, afinal todo mundo já teve um amor, uma dor de cotovelo, um filme tragédia favorito, e é claro que a música romântica faz parte destes momentos, correto? Como a maioria das músicas fala de amor eu vou selecionar somente internacionais neste post, para facilitar o meu trabalho e evitar as polêmicas. Vamos lá?

5. Wicked Game – Chris Isaac
Eu arrepio quando escuto essa música. Juro. Não sei se é o impacto “Ross and Rachel” que ela me causa (porque nossa, nada mais triste do que aquela cena da Rachel na janela após brigar com o Ross), mas eu acho ela impactante. É tão impactante que chega a ser baranga. E é tão baranga que chega a ser extremamente romântica. E o clipe? Dispensa comentários, assim como o agudo estendido de Chris Isaac no refrão: “no IIIIIIIIIIIIIIIII don’t wanna fall in love…”. Aliás, dúvida para o Guru do site, Mauro Kleber, Chris Isaac teve outro sucesso?

No clima desta dúvida, do agudo sensacional e do “We were on a Break” de Ross and Rachel “Wicked Game” é nosso 5º lugar!

4. Book of Love – Peter Gabriel
Quem já viu “Shall We Dance” (ou Dança Comigo em bom português)? Aposto que a maioria das mulheres já viu e se derreteu com a cena do Richard Gere subindo as escadas rolantes trazendo uma rosa para sua esposa, a Susan Sarandon, inclusive eu! Uma das responsáveis pela cena ser tão romântica é a música, Book of Love. A voz de Peter Gabriel é roucamente suave e linda, e eu acho que encaixa perfeitamente em uma música romântica. E a letra? “But I love it when you give me things, and you ought to give me weeding rings”. Lindo!

Por ser a trilha do “Shall We Dance”, pela letra e pela voz rouca de Peter Gabriel, “Book of Love” é nosso 4º lugar!

3. My Love – Paul McCartney
O amor entre Paul e Linda era muito grande. Era tão grande que o Paul até ignorava a falta de talento musical de sua esposa para deixar ela cantar e tocar em sua banda pós Beatles, o Wings. Mas Paul fez uma de suas músicas mais bonitas nesta época, que não envolvia a participação de Linda, mas que foi feita pra ela. “My Love” é simples, como todas as músicas do Paul, e quando você escuta até parece que você já conhece ela de algum outro lugar, por ser tão romântica. A letra é quase inteira baseada em my love, mas a frase campeã clichê do romance é “And when I go away, I know my heart can stay with my love, It’s understood”. Clássico.

Por ter a frase campeã clichê do romance e por ser o Paul “My Love” é o 3º lugar!

2- Last Goodbye – Jeff Buckley
Jeff Buckley é um romântico injustiçado. Suas músicas eram tão tristes que todos esqueciam que ele só queria falar de amor, e não importa se fosse uma música com desfecho infeliz como Last Goodbye, o importante era falar de amor. Nesta música o “eu-lírico” se despede de sua paixão propondo um último encontro, um último adeus. Junto com a voz suave de Jeff eu considero esta uma das músicas mais românticas que já ouvi, até arrepio!

Por ser um romântico injustiçado, Last Goodbye é nosso 2º lugar!

1- Wonderfull Tonight – Eric Clapton
Ok. Wonderfull Tonight é clich mas, se pensarmos racionalmente, é uma das músicas mais românticas já produzidas. Eric escreveu a letra em uma sentada, enquanto esperava sua namorada Pattie Boyd se arrumar, para irem a uma festa na casa de Paul e Linda McCartney. A letra é simples e descreve o que ele sentia enquanto esperava, e é nítido o tamanho da paixão de Eric por Pattie (já descrito inclusive em autobiografias e biografias não autorizadas do cantor) que foi transcrita para essa música. E a Pattie não é fraca não, além de inspirar Eric Clapton ela também foi a motivação para músicas como “Something” (que também merecia este primeiro lugar!), “I Need You” e “For You Blue” de George Harrisson, “Layla” também de Eric Clapton, além de também ter despertado o interesse de Mick Jagger e John Lennon. É mole?

Por ser uma música feita em uma sentada ao admirar a maior musa dos roqueiros da década de 70, “Wonderfull Tonight” é nosso 1º lugar!