Crítica: Maria Rita no Citibank Hall SP


Eu adoro ir para São Paulo, não só pelo de relaxar e encontrar meu namorado, mas porque SP sempre me oferece uma gama de eventos e opções de lazer, especialmente musicais, que são as que sempre me atraem.

Neste fim de semana fui assistir a Maria Rita no Citibank Hall, ou antigo Palace, a convite do meu namorado. Confesso que, se ela estivesse se apresentando em BH, talvez eu nem daria tanta importância a este show, já que há muito não escuto uma música dela.

Maria Rita me lembra minha adolescência, quando eu achava o máximo gostar de música brasileira (mas não conseguia ter muito apreço pelas MPBs de verdade, hehe), mas o meu processo de amadurecimento (e aquele episódio dos IPODs entregues a emissoras de rádio para promover, forçadamente, seu novo álbum) me fizeram desenvolver uma certa antipatia por ela, achando que, realmente, ela se aproveitava do fato de que era filha da Elis Regina. Bem, mas mesmo assim, eu topei ir, afinal, era uma maneira de aumentar meu currículo musical, e não é que eu deteste ela assim, era só uma leve antipatia.

Porém, dito e feito, já com 1h de atraso, eu pensei, “é antipática mesmo, deve estar se maquiando”, e até meu namorado, que adora Maria Rita, se estressou, e as vaias começaram. Com 1h e 10 ela finalmente entra, com um belo vestido, pouco discreto, porém pouco ousado, e canta. Depois de uma chuva de aplausos, a primeira frase é um pedido de desculpas: “Sabe esta coisinha que uso aqui no meu ouvido? É o que uso para escutar o show e vocês, e ele estava estragado, e infelizmente demorou para ajeitar.” Eu achei tão educado e delicado, que isto foi uma maneira pra me desarmar para ouvir o show.

E por ai fomos passando entre sucessos de seu primeiro album, Maria Rita, o Segundo e o Samba Meu, com destaque para “Pagu”, “Cara Valente”, “Encontros e Desencontros”, “Veja Bem Meu Bem”, “Nem um Dia”, “Cria” e , claro, “Tá Perdoado”. Para terminar duas seguidas do seu amigo (e porque não paixão platônica) Falcão do O Rappa: “O Que Sobrou do Céu” e “Minha Alma”.

Entre suas músicas, seus passos de dança característicos (que sempre me lembram da comediante Samantha Schmutz imitando uma apresentação de Maria Rita no programa do Jô), uma voz impecável (e de dar inveja, porque isto ela herdou mesmo da mãe) muita conversa e uma pegada de timidez (que sempre levava ela a segurar a barra de seu vestido como uma menina recém chegada aos palcos) Maria Rita conquistou o público presente em São Paulo, que não fez feio e lotou o Citibank Hall. Aliás este é mais um ponto positivo de se assistir a qualquer apresentação em Sampa, os paulistanos estão tão acostumados a conviver com cultura o tempo todo que qualquer artista consegue encher uma casa de shows, e deve ser por isto que para eles é tão prazeroso sempre voltar a SP. E olha que todos cantam todas as músicas, sem pestanejar, como se fossem fãs calorosos.

Agora que fiz as pazes com Maria Rita, e voltei a respeitar seu legado musical (mesmo que curto), termino aqui com a minha favorita da apresentação de sábado: “Não Deixe o Samba Morrer”, uma bela homenagem para este estilo musical, que ela afirma ser tão próxima, o samba.

Crítica: John Fogerty em BH

Voltei! Sim, depois de muito tempo mas voltei! Essa vida de mestranda, nutricionista (e durante uma semana dona de casa) me tomou bastante tempo nos últimos meses, mas eu tinha que voltar para dar minha opinião sobre o primeiro grande show internacional em BH neste ano: John Fogerty!

Apesar de ter se apresentado no Marista Hall e esgotado os ingressos (porque eu acho mesmo que ele merecia um local maior, mas mineirinho, realmente ninguém merece…) o eterno roqueiro fez jus a fama, tanto da carreira solo, mas principalmente (e inesquecívelmente) dos tempos de Creedence Clearwater Revival.

Vamos começar com as impressões: primeiro as minhas excelentíssimas e animadas companhias, o casal Natália Mazoni (pode dar uma olhada no blog Aqui em Casa Toca), e Tomaz de Alvarenga (colunista do Contratempo no site da Uai) e meu namorado Nelson Fonseca (que não tem blog mas é chique mesmo assim!) foram essenciais: muito grito, muita dança, muito air guitar e muito rock. A platéia estava sensacional. Eu não sei como descrever mas me agrada muito ver cinquentões, que cresceram ouvindo Creedence, junto com jovens que aprenderam a amar a boa música. Era um mix de nostalgia e energia jovem, capaz de contagiar até aqueles que não conheciam muito da história do “jovem” roqueiro que se apresentava no palco aquela noite.

Embalado por vários HITS, John levou a platéia, e não a perdeu nem nas músicas da carreira solo. Me perdoem mas a memória falha, e eu não consigo lembrar a sequência correta das músicas, mas posso afirmar que ele mesclou sucessos e hits não tão conhecidos. Começou com “Hey Tonight”, levando a platéia a loucura (e me deixando admirada com tamanha simpatia). No final de cada música podiamos ouvir um “God bless you, I love you!” que, apesar de repetitivo, soou verdadeiro. Confesso que o ponto mais esperado da noite (ao menos por mim) era “I Heard It Through The Grapevine”, aquele baixo sedutor e a guitarra inconfundível, porém ela foi minha maior decepção…começou no intervalo entre duas músicas, sem o devido destaque ao baixo (que pra mim é o melhor da música) e sem a devida animação de John…ficou parecendo que ela não é mesmo uma das suas favoritas. Aliás, falando em baixo, deixe-me reforçar o que eu disse à Natália durante o show, e ao meu pai, logo após do show: não existe composições mais perfeitas para um baixista do que as composições do Creedence. O baixo se destaca entre os outros instrumentos e, sendo assim, qualquer baixista mediano pode ter seu momento de destaque (o que NUNCA, deixo bem claro, desmereceria Stu Cook, em destaque no Creedence).
Hey Tonight:

I Heard It Through The Grapevine:

Outros bons momentos foram “Who’ll Stop The Rain”, “Have You Ever Seen The Rain” (levando todos a loucura), “Proud Mary”, “Fortunate Son” e, acredite, “Pretty Woman” e “Blue Suede Shoes”, tocado no último bis.

Na minha opinião ficou faltando “Susie Q”. O público pediu insistentemente. Mas pediu tanto que ele voltou, para um segundo bis não programado, mas não tocou, decepcionando (ou até agradando) com “Blue Suede Shoes”. Mas tudo bem. O importante no final foi saber que pude participar de mais um show histórico, de uma lenda do Rock, na minha humilde cidade, que parece que tá virando point pros melhores shows internacionais.

Pra finalizar, um pouquinho de Fortunate Son:

Encontro Marcado – Sá,Guarabyra,14 Bis e Flávio Venturini – Chevrolet Hall – Belo Horizonte – 12/02/2011

O Vitrola esteve na noite do dia 12/02 no Chevrolet Hall em Belo Horizonte, para acompanhar o Show conjunto de Sá & Gyarabyra, 14 Bis e Flávio Venturini. Eram quase 23:00, quando, num Chevrolet Hall lotado,  Sá e Guarabyra subiram ao palco e, embora prejudicados por um defeito técnico, que criava zumbidos incômodos e distorções, mostraram a habitual competência e empatia com o público, cantando uma série de sucessos que nos embalaram  na segunda metade dos anos 1970 e primeira metade dos 1980. Como não se emocionar com canções como Roque Santeiro, Uma Velha Canção Rock and Roll, Dona e sobretudo com o final apoteótico cantando Sobradinho com o coro de toda a plateia ?

Após um pequeno intervalo, foi a vez de Flávio Venturini, apresentado por Sá, como antigo integrante de sua banda, indicado, na época,  por Milton Nascimento, subir ao palco e, depois de se apresentar com os dois, iniciar uma série de sucessos, conhecidos do público. Embora o local não fosse adequado para o tipo de música apresentado por Flávio, melhor para ambientes menores, como um teatro, alguns momentos foram marcantes como a belíssima Criaturas da Noite e a inspirada Caçador de Mim.

Mais um pequeno intervalo, para troca de alguns equipamentos e chegou a vez do 14 Bis. É impressionante observar como continua boa esta banda: solos perfeitos, equalização adequada, arranjos originais mantidos (tudo que uma plateia de fans deseja), muito boa relação com o público, escolha correta do repertório e sobretudo MUITA ENERGIA. O Chevrolet Hall cantou o tempo todo com o 14 Bis : Natural, Planeta Sonho, Linda Juventude, Nos Bailes da Vida, Canção da América … Não faltou motivo para cantar.

Para o bis final, voltaram todos para as inevitáveis: Bola de Meia,Bola de Gude e  Espanhola. Um bom show e uma agradável surpresa ver que pelo menos o público mineiro ainda adora estes seus idolos e que eles, felizmente ainda estão em muito boa forma. Longa vida: Sá,Guarabyra, 14Bis e Flávio Venturini !