Um dos mais aclamados artistas da nova geração mineira de músicos, Kristoff Silva, tem como marca a versatilidade. Atua como violonista, cantor, compositor, professor de teoria musical e autor de trilhas para teatro, poesia e dança. Sua música tem bases na tradição, mas não tem medo de ser moderna. Originalidade e ousadia compõem.Com 14 anos de carreira, as referências maiores de Kristoff são Gilberto Gil, Luiz Tatit, Clube da Esquina, Egberto Gismonti e Zé Miguel Wisnik. O violão de Gil e a palavra cantada em Tatit têm importância fundamental em seu trabalho. O Clube da Esquina e Egberto são referências de beleza melódica e harmônica; em relação a Wisnik, a quem dedica o CD, não somente sua produção musical mas também a de ensaísta influenciam Kristoff. “Seu livro ‘O som e o sentido’ foi e é muito presente na minha atuação profissional. A amizade começou quando o conheci pessoalmente, e dela vários frutos, como o ‘Livro de Partituras’, no qual escrevi os arranjos originais de piano e as melodias das canções de sua autoria”, diz Kristoff, que já apresentou-se ao lado de artistas como Caetano Veloso, Elza Soares, Zé Miguel Wisnik, do diretor teatral Zé Celso Martinez Correa, das cantoras Alda Rezende, Mônica Salmaso, Ná Ozzetti, Virgínia Rosa, além da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e do grupo UAKTI. Mais Kristoff Siva no Raras Músicas
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Crítica: Maria Rita no Citibank Hall SP

Eu adoro ir para São Paulo, não só pelo de relaxar e encontrar meu namorado, mas porque SP sempre me oferece uma gama de eventos e opções de lazer, especialmente musicais, que são as que sempre me atraem.
Neste fim de semana fui assistir a Maria Rita no Citibank Hall, ou antigo Palace, a convite do meu namorado. Confesso que, se ela estivesse se apresentando em BH, talvez eu nem daria tanta importância a este show, já que há muito não escuto uma música dela.
Maria Rita me lembra minha adolescência, quando eu achava o máximo gostar de música brasileira (mas não conseguia ter muito apreço pelas MPBs de verdade, hehe), mas o meu processo de amadurecimento (e aquele episódio dos IPODs entregues a emissoras de rádio para promover, forçadamente, seu novo álbum) me fizeram desenvolver uma certa antipatia por ela, achando que, realmente, ela se aproveitava do fato de que era filha da Elis Regina. Bem, mas mesmo assim, eu topei ir, afinal, era uma maneira de aumentar meu currículo musical, e não é que eu deteste ela assim, era só uma leve antipatia.
Porém, dito e feito, já com 1h de atraso, eu pensei, “é antipática mesmo, deve estar se maquiando”, e até meu namorado, que adora Maria Rita, se estressou, e as vaias começaram. Com 1h e 10 ela finalmente entra, com um belo vestido, pouco discreto, porém pouco ousado, e canta. Depois de uma chuva de aplausos, a primeira frase é um pedido de desculpas: “Sabe esta coisinha que uso aqui no meu ouvido? É o que uso para escutar o show e vocês, e ele estava estragado, e infelizmente demorou para ajeitar.” Eu achei tão educado e delicado, que isto foi uma maneira pra me desarmar para ouvir o show.
E por ai fomos passando entre sucessos de seu primeiro album, Maria Rita, o Segundo e o Samba Meu, com destaque para “Pagu”, “Cara Valente”, “Encontros e Desencontros”, “Veja Bem Meu Bem”, “Nem um Dia”, “Cria” e , claro, “Tá Perdoado”. Para terminar duas seguidas do seu amigo (e porque não paixão platônica) Falcão do O Rappa: “O Que Sobrou do Céu” e “Minha Alma”.
Entre suas músicas, seus passos de dança característicos (que sempre me lembram da comediante Samantha Schmutz imitando uma apresentação de Maria Rita no programa do Jô), uma voz impecável (e de dar inveja, porque isto ela herdou mesmo da mãe) muita conversa e uma pegada de timidez (que sempre levava ela a segurar a barra de seu vestido como uma menina recém chegada aos palcos) Maria Rita conquistou o público presente em São Paulo, que não fez feio e lotou o Citibank Hall. Aliás este é mais um ponto positivo de se assistir a qualquer apresentação em Sampa, os paulistanos estão tão acostumados a conviver com cultura o tempo todo que qualquer artista consegue encher uma casa de shows, e deve ser por isto que para eles é tão prazeroso sempre voltar a SP. E olha que todos cantam todas as músicas, sem pestanejar, como se fossem fãs calorosos.
Agora que fiz as pazes com Maria Rita, e voltei a respeitar seu legado musical (mesmo que curto), termino aqui com a minha favorita da apresentação de sábado: “Não Deixe o Samba Morrer”, uma bela homenagem para este estilo musical, que ela afirma ser tão próxima, o samba.
Dica: SHOW GILBERTO GIL POLI USP 1973
Lendo a Rolling Stone Brasil de Abril de 2011, deparei-me com uma história interessante:
Em março de 1973, portanto há 38 anos atrás, o estudante de geologia Alexandre Vannuchi Leme foi torturado e assassinado pelo governo militar que dominava o Brasil. Laí Abramo, que era conhecida de Gilberto Gil convenceu o cantor a fazer um show em protesto contra a morte do estudante. A apresentação foi marcada para 26 de Maio, um sábado à tarde. Gil canta durante mais de duas horas, inicialmente tentando aliviar o clima pesado, com músicas como “Chiclete com Banana”, “Senhor Delegado”, “Eu quero um samba” , mas o público que mais – pede “Cálice” . Gil desconversa, diz que não se lembra bem da letra, mas um estudante pega um pedaço de papel e escreve a letra e entrega para Gil, que não tem então como não cantá-la. O interessante é que tudo isto está registrado em áudio, inclusive vários trechos de diálogo entre Gil e os estudantes presentes. Claro, que num pais como o Brasil, toda esta raridade permaneceu inédita nos últimos anos. Mas não é que agora é possível achar e ouvir o registro desse show histórico? Esta é nossa dica de hoje.

O registro está presente em vários locais na internet; quem sabe você ache o que procura no blog irmão Raras Músicas ? Divirta-se
MPB e Comida
Ontem, enquanto curtíamos uma noite gostosa de samba na Gamboa, nova casa destinada ao gênero, na Savassi (recomendo) eu passei a observar a grande quantidade de músicas brasileiras que falam de comida. Vamos rever algumas?
Para começar um clássico: O genial Dorival Caymmi ensina a fazer um Vatapá, num clipe curtinho, retirado da minissérie da Globo : Dona Flor e seus Dois Maridos:
Mais um pouquinho de música:
Dica: Quarteto Cobra Coral
Quatro artistas mineiros : Flávio Henrique, Kadu Vianna, Mariana Nunes e Pedro Morais, embora tenham sólida carreira individual resolveram se unir executando canções próprias , parcerias e músicas que gostam. Eles preferiram uma formação de quarteto vocal, que privilegia um lado mais intimista e elaborado e o resultado tem feito muito sucesso na cena cultural mineira.A formação foi batizada em homenagem à parceria de Caetano Veloso e Wally Salomão, Cobra Coral.
O formato acústico de três violões e quatro vozes é perfeito para a compreensão dos ricos arranjos vocais que o grupo preparou. No repertório canções como “E o que for já é “ (Kadu Vianna e Pedro Morais), “Tristesse” (Milton Nascimento e Telo Borges), “A Rede”(Lenine), “Cobra Coral” (Caetano Veloso e Wally Salomão), Falso Milagre do Amor (Ed Motta) e Pássaro Pênsil (Flávio Henrique e Carlos Rennó). (Texto de BH Eventos)
Memória: Xisto Bahia
(Xisto de Paula Bahia * Salvador 05/09/1841 + Caxambú 30/10/1894)
O ator e músicoXisto de Paula Bahia foi personalidade marcante no teatro e na música brasileira. Considerado um dos pioneiros da MPB, ficou célebre e teve grande popularidade no final de Segundo Reinado.
Xisto compôs a primeira música gravada no Brasil, o lundu “Isto é bom”, que completou mais de cem anos. A voz do cantor Baiano, o primeiro cantor profissional da Casa Edison, soava fanhosa, os discos eram frágeis – feitos de cera de carnaúba – e o aparelho para ouvi-los, o gramofone, funcionava a corda. Mas nada disso tirava o glamour de levar para casa, no distante ano de 1902 (oito anos após o falecimento do autor da música), o registro de uma gravação nos raros discos produzidos pela Casa Edison. Por favor, não confundam o autor Xisto Bahia com o cantor da gravação, conhecido como Baiano, que é reproduzida abaixo: (Retirado do Blog do Alê)
Caricatura 6 – Os Preferidos dos Sousa
Acertou quem achou que esta cara era do Simonal:
Wilson Simonal de Castro (Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 1939 — 25 de junho de 2000) foi um cantor brasileiro de muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970. começou cantando calipsos e rocks em inglês. De baile em baile, foi descoberto pelo compositor Carlos Imperial, que o levou para o seu programa de TV, de boate em boate, foi parar no templo da bossa nova, o Beco das Garrafas, levado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli. Em 1963, Simonal lançou seu primeiro LP, que estourou a música “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi. Em 1966 e 1967, apresentou na TV Record o Show em Si Monal. A melhor fase de sua carreira chegaria em seguida, com uma série de sucessos dançantes como “País Tropical”, “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Meu Limão, Meu Limoeiro” e “Sá Marina”, que deram origem a um estilo suingado conhecido como Pilantragem. Encontrou sua derrocada em 1972, quando foi acusado de ser o mandante de uma surra, dada por dois policiais, no contador de sua firma, que o teria roubado. Denunciado, Simonal foi condenado – e durante o inquérito, um agente do Dops ainda revelou que o cantor tinha sido informante do órgão. Com essa acusação de dedurismo em plena ditadura militar, Simonal passou para o completo ostracismo, só encerrado em 1994, quando foi lançada em CD a coletânea “A Bossa de Wilson Simonal”. Simonal teve uma filha, Patricia, e dois filhos, também músicos: Wilson Simoninha e Max de Castro. É, e sempre foi um dos Preferidos dos Sousa. (Texto de UOL – CliqueMusic)
DISCOGRAFIA:
- 1961 – Teresinha (Carlos Imperial)
- 1963 – Tem algo mais
- 1964 – A nova dimensão do samba
- 1965 – Wilson Simonal
- 1966 – Vou deixar cair…
- 1967 – Wilson Simonal ao vivo
- 1967 – Alegria, alegria !!!
- 1968 – Alegria, alegria – volume 2
- 1968 – Quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga
- 1969 – Alegria, alegria – volume 3
- 1969 – Cada um tem o disco que merece
- 1969 – Homenagem à graça, à beleza, ao charme e ao veneno da mulher brasileira
- 1970 – Jóia
- 1970 – México 70
- 1972 – Se dependesse de mim
- 1973 – Olhaí, balândro..é bufo no birrolho grinza!
- 1974 – Dimensão 75
- 1975 – Ninguém proíbe o amor
- 1977 – A vida é só cantar
- 1979 – Se todo mundo cantasse seria bem mais fácil viver
- 1981 – Wilson Simonal
- 1985 – Alegria tropical
- 1991 – Os sambas da minha terra
- 1995 – Brasil
- 1997 – Meus momentos: Wilson Simonal
- 1998 – Bem Brasil – Estilo Simonal
- 2002 – De A a Z : Wilson Simonal
- 2003 – Alegria, alegria
- 2003 – Se todo mundo cantasse seria bem mais fácil viver (relançamento)
- 2004 – Rewind – Simonal Remix
- 2004 – Wilson Simonal na Odeon (1961-1971)
- 2004 – Série Retratos: Wilson Simonal
- 2009 – Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei
- 2009 – Wilson Simonal – Um Sorriso Pra Você
Eu gosto de quase todos, mas indico: Alegria,Alegria vol1 e vol2 (1967-1968) e Homenagem à graça, à beleza, ao charme e ao veneno da mulher brasileira, de 1969
Gabriel Guedes
A Vitrola dos Sousa está criando o hábito de divulgar de novos artistas, especialmente os ligados à música brasileira. O nome de hoje é Gabriel Guedes.
Gabriel é filho de Beto Guedes, um dos componentes do Clube da Esquina, com Milton Nascimento, Lô Borges, Wagner Tiso e muitos outros.
Segundo o texto retirado da comunidade Gabriel Guedes no Orkut: “Quando exatamente a música entrou em sua vida, Gabriel não se lembra. Mas dos instrumentos espalhados pela casa nos quais ele gostava de tirar um som, dos discos que ampliaram seu universo musical e da primeira guitarra presente do pai aos 14 anos, isso sim, ele se lembra e com certeza influenciou em sua formação musical. Autodidata, multi-instrumentista, foi se desenvolvendo com os toques do pai e descobrindo as músicas do Clube da Esquina principalmente as de Milton Nascimento e Wagner Tiso. Hoje sua principal referência é Bach e a música erudita em geral. Já tocou rock, punk, MPB, até ver o universo do chorinho surgir na sua vida por influência, mesmo que indireta, do avô. O choro Belo Horizonte de Godofredo, que Beto Guedes registrou no CD “A Página do Relâmpago Elétrico”, Gabriel tocou pela primeira vez no bandolim do pai. Identificou-se tanto com o instrumento que acabou trocando seu violão de 12 cordas pelo bandolim. “
Mais Gabriel Guedes no Blog: Raras Músicas
O Beco das Garrafas

Nesta última semana estive no Rio de Janeiro para um evento e fiquei hospedado em Copacabana. Pela janela lateral de meu quarto, no 28 andar, eu podia avistar a belíssima orla marítima da “Princesinha do Mar” à direita e à esquerda o emaranhado de ruas, becos e vielas espremidas entre a montanha e a praia, que compõem o bairro de Copacabana. Como é impossível, para mim, estar no Rio e não me lembrar de música, especialmente de Bossa Nova, não houve como não tentar localizar ali do alto a rua Duvivier e o Beco das Garrafas.
Beco das Garrafas é o nome de uma travessa sem saída (um beco), localizado na rua Duvivier, quase no Leme, que calhou de abrigar um conjunto de casas noturnas nas décadas de 1950 e 1960, que viram a ser muito importantes para o desenvolvimento e a consolidação da Bossa Nova.Ficavam lá localizadas a Ma Griffe, Bacará, Little Club e Bottle’s.
A alcunha de Beco das Garrafas (inicialmente Beco das Garrafadas), nome criado pelo jornalista Sérgio Porto para se referir ao local, se deve à prática dos moradores, incomodados com o ruído, que invadia as madrugadas, de jogar garrafa nos boêmios que freqüentavam estas casas.
Copacabana tinha ainda outros locais em que a noite era esticada. O Beco do Joga –a-Chave , localizado na rua Carvalho de Mendonça, também tinha várias casas noturnas, com destaque para o Bar e Boate Dominó.
Os irmãos italianos Alberico e Giovanni Campana eram donos de três destas boates, o Little Club, Bottle’s e Ma Griffe, e excetuando-se esta última que era dedicada à prostituição, nas outras duas eles estavam sempre dispostos a patrocinar jovens talentos, desde que eles mantivessem as suas casas cheias.
Nesta mesma época o Trio Bossa Três, formado pelo pianista Luís Carlos Vinhas, o baterista Edison “Maluco” Machado e o baixista Tião Netto que era a atração principal do Restaurante Au Bon Gourmet , foi despedido, porque os freqüentadores do restaurante não gostavam da maneira ousada que o trio tocava samba – queriam é ouvir Nelson Gonçalves cantar samba-canção.
O Trio Bossa Três foi então contratado, pelos irmãos Campana, para tocar no Little Club. Com isto, as outras boates do local começaram a atrair boa parte dos talentos da noite carioca. A dupla Miele e Boscoli, responsáveis pela direção, pelo som e pela iluminação tinha um lema: “Dê-nos um elevador e nós lhe daremos um espetáculo” e usavam toda sua criatividade para criar pocket-shows nos pequenos espaços que lhes cabiam. Além dos musicais noturnos, havia também as matinês de domingo, que reuniam músicos amadores e profissionais. Assim, o Beco das Garrafas, abrigou, nos anos 1960, o melhor da bossa nova instrumental.
Alguns nomes que se apresentavam ali Sergio Mendes, Luiz Eça, Luís Carlos Vinhas, Salvador e Tenório Jr., Raul de Souza, J.T. Meireles, Cipó, Paulo Moura, Maurício Einhorn, Rildo Hora, Baden Powell, Durval Ferreira, Tião Neto, Manuel Gusmão, Bebeto Castilho, Dom Um Romão, Edison Machado, Airto Moreira, Wilson das Neves, Chico Batera, Vítor Manga e Hécio Milito, entre outros músicos. Entre os cantores: Sylvinha Telles e Marisa Gata Mansa, Dóris Monteiro, Claudette Soares, Alaíde Costa, Lenny Andrade, Flora Purim, Nara Leão, Sérgio Ricardo, Johnny Alf, Sílvio César, Agostinho dos Santos, Jorge Ben, Wilson Simonal, Pery Ribeiro e Elis Regina.
Outro personagem de destaque no Beco das Garrafas foi o dançarino, coreógrafo e cantor Lennie Dale, que, além de dirigir vários shows ali apresentados, sendo muito exigente com relação à necessidade de ensaio, aproveitava o espaço vazio do Bottle’s durante as tardes para ministrar aos artistas aulas de expressão corporal.
O auge do Beco durou de 1958 a 65. Porém, a chama ainda não se apagou , um grupo de empresários está reformando os locais onde funcionaram as boates Little Club, Bottle´s e Bacarat, em decadência desde o fim dos anos 60. Os investidores planejam transformar a viela em um museu da bossa nova, com a exposição de peças referentes a Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Aguardamos ansiosos.












