Show: Chico Buarque – Chico – Palácio das Artes – Belo Horizonte 06/11/11

Cotação:

Chico escolheu BH para abrir a temporada de promoção de seu novo CD, e o Vitrola esteve lá. O que nós vimos foram as habituais cenas de  idolatria, nem sempre (ou quase nunca) correspondidas, de um público que lotou o Palácio das Artes.

A Banda de Chico é excepcional: Jorge Helder e Wilson das Neves, o maestro e arranjador Luiz Claudio Ramos, João Rebouças (piano e teclados), Chico Batera(percussão), Marcelo Bernardes (flautas, saxofone) e Bia Paes Leme (teclados e vocais).

O show é correto, embora comece bastante frio, mas reserva algumas boas surpresas. Canções menos frequentes nas apresentações ao vivo, como Baioque, Ana de Amsterdam, O Velho Francisco , De Volta ao Samba, Desalento, Injuriado   substituiram outras mais conhecidas. Do novo disco algumas ainda pouco conhecidas, como Querido Diário e Rubato. Chico quase não se move no palco, mas é adorado. O climax vem com as mais conhecidas do público : Geni e o Zepelim, Sob Medida, Bastidores, Todo o Sentimento ,  O Meu Amor ,  Teresinha ,  e “Anos Dourados.

Outro momento interessante foi quando Chico brinca de rap em resposta ao rapper Criolo, que fez uma música inspirada em Cálice. Diz Chico:

” Pai, afasta de mim a biqueira
Afasta de mim as ´biate´
Afasta de mim a ´cocaine´
Pois na quebrada escorre sangue

Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue”

Um momento especial do show acontece quando ele convida seu  “personal baterista”,Wilson das Neves, para cantar  e divide com ele os vocais de  Teresa da Praia (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), imortalizada por Dick Farney e LúcioAlves.

Chico volta duas vezes para o bis e no segundo e último bis canta Na Carreira  (Edu e Chico), do “Grande CircoMístico”, de 1982, que avisa  ao público:

” Hora de ir embora
Quando o corpo quer ficar
Toda alma de artista quer partir

(…)

Ir deixandoa pele em cada palco
E não olhar pra trás
E nem jamais
Jamais dizer
Adeus”

Chico abre os braços, se despede com um tímido beijinho, que mal escorrega de suas mãos e dá adeus. Fica a impressão de que o show poderia ter sido melhor. Chico é muito tímido, tem pouca presença de palco e isto limita um pouco o espetáculo. Ser um artista que agrada seu público, que pagou caro para assistí-lo, e que quer escutar sempre as mesmas músicas ( como fazem Roberto Carlos e Paul McCartney, por exemplo), ou arriscar em um show mais ousado, recheado de músicas menos conhecidas e mais  novas ? Qual a fórmula ideal ? Chico escolheu o meio do caminho, o que parece ser uma decisão sábia e justa. Resumindo, gostamos. Dou 4 estrelas.

Encontro Marcado – Sá,Guarabyra,14 Bis e Flávio Venturini – Chevrolet Hall – Belo Horizonte – 12/02/2011

O Vitrola esteve na noite do dia 12/02 no Chevrolet Hall em Belo Horizonte, para acompanhar o Show conjunto de Sá & Gyarabyra, 14 Bis e Flávio Venturini. Eram quase 23:00, quando, num Chevrolet Hall lotado,  Sá e Guarabyra subiram ao palco e, embora prejudicados por um defeito técnico, que criava zumbidos incômodos e distorções, mostraram a habitual competência e empatia com o público, cantando uma série de sucessos que nos embalaram  na segunda metade dos anos 1970 e primeira metade dos 1980. Como não se emocionar com canções como Roque Santeiro, Uma Velha Canção Rock and Roll, Dona e sobretudo com o final apoteótico cantando Sobradinho com o coro de toda a plateia ?

Após um pequeno intervalo, foi a vez de Flávio Venturini, apresentado por Sá, como antigo integrante de sua banda, indicado, na época,  por Milton Nascimento, subir ao palco e, depois de se apresentar com os dois, iniciar uma série de sucessos, conhecidos do público. Embora o local não fosse adequado para o tipo de música apresentado por Flávio, melhor para ambientes menores, como um teatro, alguns momentos foram marcantes como a belíssima Criaturas da Noite e a inspirada Caçador de Mim.

Mais um pequeno intervalo, para troca de alguns equipamentos e chegou a vez do 14 Bis. É impressionante observar como continua boa esta banda: solos perfeitos, equalização adequada, arranjos originais mantidos (tudo que uma plateia de fans deseja), muito boa relação com o público, escolha correta do repertório e sobretudo MUITA ENERGIA. O Chevrolet Hall cantou o tempo todo com o 14 Bis : Natural, Planeta Sonho, Linda Juventude, Nos Bailes da Vida, Canção da América … Não faltou motivo para cantar.

Para o bis final, voltaram todos para as inevitáveis: Bola de Meia,Bola de Gude e  Espanhola. Um bom show e uma agradável surpresa ver que pelo menos o público mineiro ainda adora estes seus idolos e que eles, felizmente ainda estão em muito boa forma. Longa vida: Sá,Guarabyra, 14Bis e Flávio Venturini !