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As Lojas de Disco de BH: – Capítulo IV: Trem Azul

Nos três posts anteriores falamos de lojas que nos marcaram no passado (Pop Rock, Bob Tostes e Hi-Fi), agora vamos prestar nossa homenagem a alguns heróis da resistência.A Trem Azul é uma tradicional loja de discos novos e usados localizada no centro de BH e que já tem uma história de quase 20 anos, no mesmo local. Conheço Malaguti desde os tempos em que jogávamos uma pelada, todas as quartas-feiras juntos. O resultado era sempre, pouco futebol e muito papo sobre músicas. A Trem Azul é o local para quem gosta de achar discos raros, underground, fora de catálogo ou até que nunca entraram em catálogo. O conceito de uma loja tradicional não se aplica, uma vez que não há uma organização formal dos CDs, (novos ou usados), LPs , Caixas de coleções e até publicações como catálogos especiais.  O local  parece uma grande coleção de discos e só o seu dono, o carismático Malaguti, que é o único dono/funcionário do local poderá localizar o que lhe interessar e ainda  contar como adquiriu cada disco (muitos deles entregues nas lojas pelos próprios artistas) e passar informações precisas de cada um.

O grande charme é este a total falta de organização e classificação dos títulos – para achar alguma coisa, só por acaso ou se você perguntar ao Malaguti por um título específico, ai ele saberá exatamente aonde está. Aliás, até a placa com o nome da loja é difícil de achar. Vale a pena também vasculhar a coleção sozinho, e o Malaguti respeitará a sua privacidade, mas ai tenha paciência e curta as surpresas que você vai encontrar. Por isto é melhor ir lá quando tiver tempo de sobra.  Ir à  Trem Azul é uma grande pedida e ela é certamente um dos templos esquecidos, no tempo e no espaço,  reservado para os grandes amantes do ato de comprar discos aqui em BH. Obrigado Malaguti, um verdadeiro heróis da resistência.

PS: Na última vez que estive na loja, ontem, depois de remexer um pouco em alguns velhos discos de blues, deparei com um que eu não conhecia – o Malaguti interveio logo:  “Esta moça é de Boston e gravou este CD aqui em Minas, unindo as suas lembranças do Rio Mississipi e do Rio São Francisco, pode lever que você vai gostar “(já escutei – é ótimo). E como é que você foi achar este disco, Malaguti?”, perguntei. “Foi ela que passou aqui e deixou alguns para eu vender…”. Pois é assim a Trem Azul

Endereço Av Álvares Cabral, 373, Centro – Belo Horizonte

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As Lojas de Disco de BH III: Bob Tostes

A BOB TOSTES Discos e Fitas que ficava na avenida Cristóvão Colombo, 273, Savassi, do lado do Cine Pathé (em frente da atual Livraria Status) . Lá ela funcionou entre 1977 e 1996. Além  de um bom catálogo, a loja tinha uma atração especial – Bob Tostes. Bob foi e é um músico muito importante na cena musical mineira. Foi um dos líderes, em 1969, do movimento Musicanossa, que junto com Roberto Menescau promovia o intercâmbio entre músicos de BH e do Rio. Nos anos 1970 foi diretor do Festival Estudantil da Canção (FEC) : festival que lançou músicas como “Equatorial” de Beto Guedes,Márcio e Lô Borges, “Clube da Esquina” de Milton, Lô e Márcio Borges, “Canto de Desalento” de Tonino Horta,e outras.

NENoe

Depois Bob fundou uma casa noturna gostosa, chamada Baubles, na Savassi. A Baubles virou uma das casas mais importantes da cidade.O  Baubles recebeu grandes músicos mineiros como Thales Martins da Costa, Arlindo Polizzi Fo., Élson Coutinho, José Namen, Flávio Fontenelle, Melão, Talita Babl, Juarez Moreira, Paulo Nehmy, André Decquesh,  Marilton Borges, e  Yuri Popoff,  sem mencionar as  “jams” com artistas que chegavam à cidade como Menescal, Ivan Lins, Antonio Adolfo, Vitor Assis Brasil, João Donato, Tito Madi, Lucinha Lins, Luiza Fonseca, etc.Bob Tostes também foi produtor da rádio Inconfidência FM na inauguração da programação Brasileiríssima,criada por Claudinê Albertini em 1979. Em 1996, retornou à emissora para a produção de programas diários sobre cinema e MPB, até se transferir para a rádio Guarani FM, em 1999, para participar da reformulação da programação e da produção de especiais.

Voltaremos a falar de Bob em breve:

Para matar a saudade o selo da Bob Tostes Discos e Fitas:

(Retirado de uma foto no site da Fernanda Takai)

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Memórias: Lojas de Disco de BH – Capítulo II

Já na década de 1980, com o declínio da Pop Rock, a nossa loja preferida passou a ser a HIFI, no recém inaugurado BH Shopping. A HI-FI ficava no 2º andar do Shopping, nível Nova Lima e era muito mais avançada tecnologicamente que a Pop Rock. A loja era grande, com um catálogo de discos muito maior, um grande número de vendedores. Na  verdade era filial da loja paulista, que tinha mais de 40 anos de tradição.

A gerência local era exercida pelo Menta, que entendia bastante de música e estava sempre pronto a ajudar com os novos lançamentos. Ir á HIFi era sempre um programa de luxo para os apaixonados por música. Abaixo uma foto do Menta:

E quem se lembra dos cupons de bonus. Dez destes cupons abaixo valiam um disco de brinde. Confesso que juntei algumas centenas deles e pude curtir algumas dezenas de discos bonus, o que dava sempre um prazerzinho a mais.

A HIFI encerrou definitivamente suas atividades no Brasil em 2002, quando seu fundador Hélcio Serrano, decidiu jogar a toalha e encerrar suas atividades. Para encerrar uma imagem da embalagem da HIFI, naqual havia local para se marcar o motivo do presente.

Aguarde os próximos capítulos. Estamos procurando material sobre outras Lojas antigas aqui de BH: A Loja du Pê (Na Galeria do Ouvidor), As Lojas Gomes (Na Rua Tupis), O Museu do Disco (No BH Shopping), A Prodel (Na Savassi) e outras. Quem tiver algum material mande pra gente por favor…

Grande 2012 !

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Série: Lojas de Disco: A Pop Rock (BH)

Já postei uma nota comentando sobre meu primeiro disco, agora vamos cutucar de novo o passado. Vamos relembrar algumas lojas de disco, a maior parte já fechadas, outras ainda em funcionamento. Porque lembrar de lojas de disco ? É que para a minha geração a loja de disco funcionava mais ou menos como um templo, e o vendedor de sua preferência como um sumo sacerdote.

A primeira e mais importante, em BH , era a Pop Rock. Era lá que íamos esperar ansiosamente a chegada dos “petardos” lançados pela Cultura AM. Quem lembra do endereço? Rua Tupis 437 – Centro

Era ali, quase esquina com a Rua São Paulo, descendo em direção a Avenida Amazonas, onde hoje está localizada uma Igreja Pentescotal. Era uma loja pequena, com um grande acervo, que mantinha colada na sua parede uma outra raridade na época, a parada de Hot 100 da Billboard, com os discos que já haviam chegado à loja marcados com caneta marca texto amarela , para facilitar o pedido. O sumo sacerdote, também dono da loja –  se não me engano, Nelson Canaan atendia pessoalmente e  dava preciosas dicas. Era lá, antes de existir internet, com poucas revistas especializadas, que os fanáticos se reuniam para comprar e trocar preciosas informações.


Mate a saudade do selinho da Pop-Rock, presente em uma boa parte da minha coleção de compactos e LP’s

Compacto simples com o selo da Pop Rock

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